Manutenção Preventiva em veículos com transmissão automática

por Carlos Napoletano Neto

Comprei, mas como cuidar corretamente de um veículo equipado com transmissão automática?

Freqüentemente temos sido questionados pelos usuários de veículos com câmbio automático sobre a melhor maneira de cuidarmos desse tipo de equipamento. Já aprendemos quais os itens que devemos cuidar quando da compra de um carro automático, agora vamos ver como mantê-lo sempre em perfeito estado.

A resposta para isso é uma só: Manutenção Preventiva.

Em artigos anteriores, tivemos orientação sobre como utilizar corretamente a alavanca seletora de marchas, visto que a má utilização dela é responsável por pelo menos 80% dos defeitos apresentados pela transmissão no decorrer de sua vida útil.

Portanto, se podemos, pela sua correta utilização, diminuir as possibilidades de defeitos em 80%, vale a pena parar e considerar detalhadamente que uso fazer das diversas posições no console da alavanca, uma vez que elas estão lá por algum motivo.

Por exemplo: um usuário que diariamente sobe uma rampa de estacionamento de seu prédio, uma rampa de um shopping, um anda-e-pára de uma subida de serra nos fins de semana, etc., prolongará e muito a vida útil da transmissão se colocar a alavanca em "L" ou "l" em vez de sair em "D", visto que a posição "L" é considerada de uso severo, ocorrendo um aumento da pressão interna da transmissão, bem como a aplicação de mais um elemento interno de reforço no câmbio.

Para mais informações, recomendamos a você uma leitura detalhada da matéria "Utilização racional da alavanca de mudanças", publicada na edição passada (nº. 185 - Julho/2006). Um outro cuidado que poderá prolongar a vida útil do câmbio é a certeza de que o técnico escolhido para a manutenção periódica conhece o fluido correto especificado para aquela transmissão, bem como o procedimento correto para a inspeção do nível, visto que fluido errado (não especificado) e excesso ou falta do mesmo podem danificar irremediavelmente o câmbio.

Os técnicos reparadores de transmissões automáticas têm recebido diariamente reclamações de usuários que se queixam que levaram seus veículos para verificação nos supostos "Centros Técnicos de Lubrificação" dos postos de gasolina e foram atendidos por pessoal totalmente despreparado tecnicamente, que nem mesmo sabia a localização da vareta de inspeção do fluido da transmissão, isto no caso dos veículos que ainda possuíam vareta! É muito comum drenarem o óleo do motor pensando que estão drenando o óleo do câmbio, ou adicionarem óleo de câmbio manual no câmbio automático, comprometendo dessa forma irremediavelmente a transmissão. Quem paga a conta?

Um outro item que compromete a transmissão caso não seja observado e controlado é o vazamento.
Se o cliente notar manchas no piso da garagem de um fluido avermelhado ou em carros mais modernos amarelado, e perceber que isso ocorre freqüentemente, solicite que seu cliente leve o veículo para uma revisão urgente, pois o custo relativamente baixo de uma correção simples de vazamento poderá se transformar mais tarde, se negligenciado, no custo da reforma do câmbio, que trabalhou seco e queimou.

O que preferimos?

A perda progressiva de fluido poderá ser notada também no comportamento do câmbio, pois as mudanças se farão menos suaves, gerando os famigerados "trancos" e alterando seu comportamento à medida em que a transmissão esquenta.

Com esses cuidados simples, pode-se esperar da transmissão um vida útil tão longa ou maior que os outros itens que equipam o veículo, deixando o proprietário com dinheiro no bolso suficiente para apreciar a sua nova aquisição.

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Carlos Napoletano Neto é consultor técnico e ministra cursos sobre transmissão automática.
Tel. (11) 6918-6003
e-mail: cmtecavok@uol.com.br

Matéria publicada no jornal Oficina Brasil edição nº. 186 - ago/06

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