Comprei, mas como cuidar corretamente de um veículo equipado com transmissão automática?
Freqüentemente temos sido questionados pelos usuários de veículos com câmbio automático sobre a melhor maneira de cuidarmos desse tipo de equipamento. Já aprendemos quais os itens que devemos cuidar quando da compra de um carro automático, agora vamos ver como mantê-lo sempre em perfeito estado.
A resposta para isso é uma só: Manutenção Preventiva.
Em artigos anteriores, tivemos orientação sobre como utilizar corretamente a alavanca seletora de marchas, visto que a má utilização dela é responsável por pelo menos 80% dos defeitos apresentados pela transmissão no decorrer de sua vida útil.
Portanto, se podemos, pela sua correta utilização, diminuir as possibilidades de defeitos em 80%, vale a pena parar e considerar detalhadamente que uso fazer das diversas posições no console da alavanca, uma vez que elas estão lá por algum motivo.
Por exemplo: um usuário que diariamente sobe uma rampa de estacionamento de seu prédio, uma rampa de um shopping, um anda-e-pára de uma subida de serra nos fins de semana, etc., prolongará e muito a vida útil da transmissão se colocar a alavanca em "L" ou "l" em vez de sair em "D", visto que a posição "L" é considerada de uso severo, ocorrendo um aumento da pressão interna da transmissão, bem como a aplicação de mais um elemento interno de reforço no câmbio.
Para mais informações, recomendamos a você uma leitura detalhada da matéria "Utilização racional da alavanca de mudanças", publicada na edição passada (nº. 185 - Julho/2006). Um outro cuidado que poderá prolongar a vida útil do câmbio é a certeza de que o técnico escolhido para a manutenção periódica conhece o fluido correto especificado para aquela transmissão, bem como o procedimento correto para a inspeção do nível, visto que fluido errado (não especificado) e excesso ou falta do mesmo podem danificar irremediavelmente o câmbio.
Os técnicos reparadores de transmissões automáticas têm recebido diariamente reclamações de usuários que se queixam que levaram seus veículos para verificação nos supostos "Centros Técnicos de Lubrificação" dos postos de gasolina e foram atendidos por pessoal totalmente despreparado tecnicamente, que nem mesmo sabia a localização da vareta de inspeção do fluido da transmissão, isto no caso dos veículos que ainda possuíam vareta! É muito comum drenarem o óleo do motor pensando que estão drenando o óleo do câmbio, ou adicionarem óleo de câmbio manual no câmbio automático, comprometendo dessa forma irremediavelmente a transmissão. Quem paga a conta?
Um outro item que compromete a transmissão caso não seja observado e controlado é o vazamento.
Se o cliente notar manchas no piso da garagem de um fluido avermelhado ou em carros mais modernos amarelado, e perceber que isso ocorre freqüentemente, solicite que seu cliente leve o veículo para uma revisão urgente, pois o custo relativamente baixo de uma correção simples de vazamento poderá se transformar mais tarde, se negligenciado, no custo da reforma do câmbio, que trabalhou seco e queimou.
O que preferimos?
A perda progressiva de fluido poderá ser notada também no comportamento do câmbio, pois as mudanças se farão menos suaves, gerando os famigerados "trancos" e alterando seu comportamento à medida em que a transmissão esquenta.
Com esses cuidados simples, pode-se esperar da transmissão um vida útil tão longa ou maior que os outros itens que equipam o veículo, deixando o proprietário com dinheiro no bolso suficiente para apreciar a sua nova aquisição.
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Carlos Napoletano Neto é consultor técnico e ministra cursos sobre transmissão automática.
Tel. (11) 6918-6003
e-mail: cmtecavok@uol.com.br
Matéria publicada no jornal Oficina Brasil edição nº. 186 - ago/06