Xsara Picasso: carro para poucas oficinas

O primeiro modelo da francesa Citroën fabricado no País, no pólo industrial de Porto Real (RJ), ainda está distante da realidade de muitas reparadoras independentes de veículos

Lançado em maio de 2001, o Xsara Picasso é uma das minivans mais vendidas no País. Em 2002, foram comercializadas 12.463 unidades e o modelo ficou em segundo lugar no pódio da categoria. Os concorrentes diretos do Picasso são o também francês Renault Scénic e a Zafira (GM), esta última com o diferencial de sete bancos contra cinco do Picasso e Scénic.
O veículo está disponível em duas versões, a GLX e a Exclusive, top de linha. O acabamento e alguns itens de série, como freios ABS, são os únicos diferenciais entre elas.
A motorização é a mesma para ambas - 2.0L 16V, que gera uma potência máxima de 118 cavalos e torque de 19,8 kgfm, a 5.500 e 4.100 rpm respectivamente. Embora o sistema eletrônico tenha sofrido algumas recodificações e as relações de 1ª, 2ª e 3ª marchas reduzidas, o motor é o mesmo que equipa o luxuoso C5, novo sedan da marca.

Design, conforto e segurança - formas arredondadas e altura das colunas dão um aspecto robusto e futurista ao veículo. A estrutura, reforçada com chapas de aço e áreas programadas de deformação, mantém o habitáculo e, conseqüentemente, os ocupantes do Xsara mais protegidos em caso de acidentes. O carro também possui um programa de proteção que desprende câmbio e motor e corta o combustível em caso de colisão frontal.

O extenso e incluir ar-condicionado, direção hidráulica progressiva e air bags frontais e laterais. A ausência do câmbio automático é uma desvantagem para o modelo, já que os concorrentes contam com o opcional.

Mas, segundo a montadora, o equipamento será oferecido a partir do final do ano.
No veículo testado, versão GLX, série limitada Etoile, os bancos de couro, rodas de liga-leve e cd-player estão inclusos no pacote.
O aproveitamento do espaço interno é um dos pontos fortes do modelo. Os cinco bancos são totalmente individuais, sendo os traseiros escamoteáveis, o que permite até seis variações de posicionamento.
Duas novidades do carro são as mesinhas dobráveis que ficam nas costas dos bancos da frente. Para completar, mais de 10 porta-objetos foram espalhados por todo o veículo. Há guarda-garrafas na lateral das portas dianteiras, caixas disfarçadas no assoalho, gavetinha entre os bancos do motorista e passageiro.
Das belezas do veículo, o painel digital integrado é o que mais chama atenção,. Grandes mostradores verdes mantém o motorista informado sobre quase tudo que se passa. Mostram a autonomia, velocidade, estação de radio, travamento das portas, temperatura do motor e até a quilometragem que falta ser percorrida até a próxima revisão.

Dirigibilidade e preço - O posicionamento da alavanca de câmbio e a possibilidade de regulagem da altura do banco facilita muito a vida do motorista, que não despende nenhum esforço extra para dirigir a minivan. O único ponto negativo neste caso é o ajuste manual dos bancos, pouco ágil.
Apesar da altura, 1.66m, o Picasso é um carro muito estável. A relação entre as marchas, bastante curta, possibilita boas arrancadas e rápidas retomadas de velocidade.
O valor sugerido pela Citroën à rede de concessionárias é de R$ 47.450 para a versão GLX e R$ 52.610, para a Exclusive. A série comemorativa Etoile já foi esgotada.

Na oficina - O Xsara Picasso foi testado na Tecnocar, zona leste de São Paulo. Participaram da avaliação Carlos Alberto Kazlauskas (Beto), sócio-proprietário da oficina, e Carlos Eduardo Perrella Peccora, reparador.
Ao iniciar o teste, os profissionais fizeram um desafio em relação a um dos grandes problemas do veículo. "A maioria das oficinas não tem como fazer um diagnóstico deste carro", lamentou Beto. "Os equipamentos de leitura do sistema de injeção eletrônica que temos no Brasil não conseguem acessar o sistema do veículo", explica.


O estepe embaixo do veículo e falta de um acesso para a troca do filtro de
óleo: pontos negativos segundo os reparadores

Outro problema é a falta de divulgação de informações técnicas da Citroën. "Tive que fazer o alinhamento de um Picasso há pouco tempo e não consegui as medidas com a montadora. Isso é um desrespeito com o proprietário do carro, que tem o direito de arrumar o carro onde quiser", explica Kazlauskas.
Sob o capô, nenhuma grande novidade. Há pouco espaço para manutenção, como na maioria dos carros mais novos. Mas nada que afete o reparo de itens mais corriqueiros como bicos injetores, troca de óleo (apenas do lubrificante), velas, radiador e filtro de ar. "O grande problema é quando a manutenção envolve algum item interno, como a correia sincronizadora. Neste caso, o reparador vai ter que desmontar muita coisa", explica Peccora.

Os profissionais disseram que a localização do estepe, embaixo do porta-malas, é visto como um ponto bastante negativo. "Concordo que representa ganho de espaço, mas é muito trabalhoso para o motorista. Ele praticamente tem que se deitar no chão para retirar o pneu reserva", diz Beto.
Segundo os profissionais, a manutenção under car pode ser feita sem grandes complicações (desde que a oficina possua informações sobre as especificações técnicas do veículo). "O Picasso possui barra de torção, que garante mais estabilidade nas curvas, e a caixa de direção tem um acesso razoável", alivia Peccora.


A tomada de diagnose está dentro da
caixa de fusíveis, no interior do veículo

Uma das sugestões dadas pelos profissionais à montadora é em relação ao acesso para o filtro de óleo. "Eles deveriam criar uma tampa de inspeção. Assim, não precisaríamos desmontar o protetor de Carter para fazer a troca do componente", explica Kazlauskas.
Ao dirigir o Xsara Picasso, os profissionais elogiaram o desempenho, estabilidade, suspensão e as rápidas respostas. Lamentaram apenas não poder desfrutar por mais tempo do veículo.



Ficha Técnica
Motor 2.0i 16 V  
Nº de cilindros 4
Nº de válvulas 16
Potência (cv/rpm) 118 a 5.500
Torque (kgfm/rpm) 19,8 a 4.100
   
Desempenho  
Aceleração 0-100 km/h (s) 9,7
Velocidade máxima (km/h) 192
   
Suspensão  
Dianteira Independente, tipo Mc Pherson, com molas
helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos
e barra estabilizadora.
Traseira Eixo autodirecional, independente, com
barras de torção
transversais, amortecedores hidráulicos e barra
estabilizadora.
   
Freios  
Dianteiros ventilados
Traseiros tambor
   
Consumo  
Rodoviário (km/l) 15,6
Urbano (km/l) 9,6

Matéria publicada no jornal Oficina Brasil ed. 146 - abr/03

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