Mulheres e Manutenção Preventiva: Uma combinação que dá certo

O número de mulheres que leva seus carros às reparadoras tem aumentado. Está na hora de prestar mais atenção nesse público.

Se você acha que oficina mecânica também é lugar de mulher, mostra que conhece as tendências de mercado. Esse ambiente que antes era essencialmente masculino vem sendo progressivamente "invadido" e agora é dividido quase igualmente entre ambos os sexos. Hoje, as clientes representam 46% do público atendido, segundo dados do ASE (Excelência de Serviços Automotivo). Além disso, elas se mostram cada vez mais cuidadosas com seus carros e adeptas da Manutenção Preventiva.
Esse fato pode ser resultado da maior independência adquirida ao longo do tempo, ao esforço para se manter financeiramente ou por outro motivo. As mulheres, porém, são mais dedicadas e conscientes de que é necessário zelar pelos bens que possuem.

"Uma vez que a cliente entende a importância da vistoria, percebe que isso é fundamental para o bom funcionamento do veículo. Cerca de 90% das consumidoras voltam para fazer a revisão no prazo estabelecido", diz Werner Bendheim Jr., proprietário da Tecno Werner, localizada na Zona Sul da cidade de São Paulo. "Elas se organizam e ficam atentas para o vencimento das manutenções. Os homens são um pouco mais relaxados", completa.

Werner acredita que as mulheres estabelecem vínculos de confiança e fidelidade com a reparadora. Por isso, precisam encontrar na oficina um ambiente agradável e respeitoso, onde se sintam confortáveis. Elas também têm se mostrado interessadas e sempre procuram entender que serviços serão realizados.
Assim faz a professora Glória Abrahm: "anoto tudo e controlo inclusive o combustível gasto. Confio no mecânico, porém, nunca deixo de discutir para saber exatamente o que será arrumado". Como considera o carro uma ferramenta de trabalho, preocupa-se que fique em ordem: " gosto de dirigir e pretendo até procurar um curso de direção defensiva. Prefiro me assegurar de que as coisas estão certas a ter qualquer incidente."

Manutenção preventiva - "A mulher costuma ser precavida. O homem espera acontecer algum problema para, depois, resolver." É o que pensa Roberto Kazlauskas Jr., dono da Tecnocar, na Zona Leste da Capital Paulista. "Não é necessário convencê-las de que os reparos são importantes. Basta ser honesto e explicar o que deve ser feito com bom senso. O profissional tem de dizer os itens que precisam de manutenção e apontar os que podem ser deixados para mais tarde."
Na opinião dele, não existe mais aquela imagem da mulher que não tem nenhum conhecimento sobre automóveis. Atualmente, grande parte de suas clientes se informa e compreende o que ocorre. "Os homens são mais 'palpiteiros' e desconfiados", acredita.

Pedro Luiz Scopino, proprietário da Auto Mecânica Scopino, na Região Norte de São Paulo, compartilha da mesma idéia. "É mais fácil conscientizar uma mulher da importância de fazer uma revisão periódica. Elas são mais prudentes e aderem naturalmente à Manutenção Preventiva", afirma. "Não querem arriscar a ficar com o carro quebrado de repente, à noite, em um local perigoso. Têm receio e, por esse motivo, respeitam o programa estipulado."
A supervisora de vendas Marilda Schiavetto leva seu carro todo final de ano à oficina para fazer uma revisão geral. "É uma questão de segurança", ressalta. " Quero tê-lo em bom estado e funcionando perfeitamente. Graças à Manutenção Preventiva, sou raras vezes surpreendida por inconvenientes."
Marilda procurou a reparadora por indicação de um amigo há 10 anos. Desde então, vai ao mesmo lugar rotineiramente. Para ela, o bom atendimento é essencial. E como encontrou o que procurava, construiu uma relação de lealdade que, no final, é benéfica para os dois lados. A reparadora conserva sua cliente, enquanto Marilda conta com uma aliada para preservar o automóvel.

Sem machismo - o tratamento ao público feminino não precisa ser diferenciado. A única exigência unânime é respeito. Hoje em dia, ao entrar em uma oficina, a mulher já não se depara mais com um ambiente rude, desagradável e de aparência suja que a espantava. As reparadoras foram modificadas para atender melhor ao mercado e às clientes.
Talvez existam mais mulheres nas oficinas atualmente pelo simples fato de que elas estão comprando mais carros. Segundo pesquisas realizadas por fabricantes de automóveis, o público feminino é responsável pela aquisição de 40% dos automóveis 0km. Portanto, é imprescindível que sua oficina esteja preparada para atendê-las, pois elas somam um número expressivo de consumidoras e formadoras de opinião.
Werner Bendheim Jr. observou que esses índices cresceram consideravelmente nos últimos quatro anos: " Estou impressionado como elas assumiram a responsabilidade pelos seus veículos. E não ficam somente encarregadas de deixar o carro em uma reparadora. Identificam os problemas, debatem, dão sugestões e tomam decisões tão bem ou melhor que os homens."

Outros fatores que influenciam - mesmo que todos os entrevistados concordem que, em geral, as mulheres são mais cautelosas com seus carros, existem outros elementos relevantes na hora de aprovar o serviço que será feito no veículo. "A adesão à Manutenção Preventiva é também uma questão de cultura. As vantagens são pouco divulgadas. As pessoas acabam esquecendo das precauções e gastando mais dinheiro com os consertos", diz Marilda Bendheim, sócia da Tecno Werner. "Não sei os números exatos, mas acredito que somente cerca de 30% dos proprietários de veículos levam o carro para revisão periodicamente. Normalmente, são aqueles que têm um grau maior de instrução. Os bem informados sabem que é essencial realizar as manutenções nos períodos certos."
A dona de casa Elisabeth Sutter inclui mais um ponto na discussão: " Acho que as mulheres são mesmo mais cuidadosas que os homens. Porém, tudo depende muito da situação financeira de cada um." Elisabeth está habituada a levar seu automóvel sempre que necessário para a revisão. No entanto, pensa que não é suficiente apenas compreender a importância dos reparos. "Existem carros em péssimas condições porque os donos não tem dinheiro para levá-los à uma oficina. Então, decidem usá-los e correr o risco de quebra. A questão é que, dessa forma podem colocar a própria vida em perigo", conclui.

Matéria publicada no jornal Oficina Brasil ed. 157 - mar/04

Voltar

Desenvolvido por Netbit Internet