
Da Oficina: Citroën C4 Pallas tem mecânica sem mistério
Texto:Jornal Oficina Brasil
Fotos: Jornal Oficina Brasil
(13-05-08) - Nesta matéria, apresentamos as impressões dos reparadores que tiveram a oportunidade de conhecer de perto o Citroën C4 Pallas, modelo da fabricante européia que chegou ao mercado em 2007 e, em breve, estará nas oficinas de todo o Brasil.
Não é difícil encontrar um reparador que tenha reclamações em relação à dificuldade de obter informações técnicas e peças para os carros da marca Citroën. Tal realidade, mensurada pela pesquisa, faz com que os veículos da marca ofereçam maior dificuldade de reparo, desperdício de tempo do reparador e conseqüentemente reparos mais caros.
"Quando chega um Citroën na minha oficina já aviso ao dono que manutenções nesses carros custam normalmente mais do que os de outras marcas, o desafio começa com as peças que são raras e caras, sem falar nas informações técnicas dificílimas de se obter" explica Carlos Alberto Siqueira, reparador que participou da avaliação do Pallas.
Apesar da primeira impressão negativa, os reparadores, levados por seu lado menos técnico e racional de apaixonados por carros, renderam-se ao design e tecnologia do veículo. "O Pallas é muito bonito mesmo, seus instrumentos e painel parecem de um carro do futuro" exalta Siqueira.
A avaliação do C4 Pallas foi realizada na Engin Engenharia Automotiva e também contou a participação do engenheiro Paulo Aguiar e os consultores técnicos Ronie Dotzlaw e Wagner da Costa Leite. Confira a seguir as impressões sobre o carro.
Motor
Apesar da semelhança entre o seu propulsor e do Xsara Picasso, ambos com 1.998 cc (cilindradas), o C4 Pallas 2.0 16v se destaca em seu desempenho, por possuir a tecnologia de comando de válvulas variável. O modelo em referência desenvolve uma potência máxima de 143 cv (103 kw) a 6.000 rpm e um torque de 20,0 kgf.m (200 Nm) a 4.000 rpm, contra a potência máxima de 138 cv (100 kw) a 6.000 rpm e um torque máximo de 19,37 kgf.m (190 Nm) a 4.000 rpm do Xsara Picasso.
No sistema de lubrificação, por exemplo, não é utilizado o filtro de óleo blindado e sim um refil. Já no sistema de alimentação, as válvulas injetoras de combustível são de fácil visualização e acesso rápido.
Na parte inferior do veículo, próximo ao tanque de combustível, está localizado o filtro, que fica bem protegido e de fácil acesso. Outra novidade está na tubulação do sistema de ventilação do cárter (respiro do motor), que possui uma camada de borracha na parte externa para proteção, evitando possíveis fissuras.
As bobinas do sistema de ignição são integradas. O veículo já é equipado com acelerador eletrônico, que não utiliza cabo, ou seja, permite que a rotação do motor seja controlada por meio de componentes eletrônicos, auxiliando o condutor a adquirir maior precisão na aceleração do veículo.
O coxim superior do motor é hidráulico e de fácil acesso, porém pode apresentar vazamento e danificar seu suporte. Quanto ao coxim inferior do câmbio, ele contém um suporte que está fixo ao semi-eixo dianteiro direito. Isso dificulta a desmontagem, caso um reparo seja necessário.
No circuito primário, que utiliza correia sincronizadora (dentada), o acesso é razoável, sendo assim, o reparador pode encontrar alguns obstáculos na substituição. O catalisador do Pallas está posicionado em um local de difícil acesso. O reparador deve ter atenção ao desligar a bateria, pois a unidade central do sistema de multiplexagem "BSI", que gerencia vários equipamentos elétricos do automóvel, pode perder algumas referências e armazenar falhas. Se isso acontecer, é necessário um aparelho eletrônico de diagnósticos para realizar uma leitura e manutenção no sistema.
Câmbio
O C4 Pallas usa um câmbio automático bastante tradicional com quatro velocidades, que não combina muito com a proposta tecnológica do carro. Na opinião dos reparadores para melhor aproveitamento do motor, um câmbio mais eficiente, no mínimo com cinco marchas, poderia conferir melhor desempenho ao modelo.
Suspensão
Adaptado ao Brasil, o veículo é dez milímetros mais alto em relação ao modelo europeu, o que preserva a suspensão. Na dianteira, o sedã usa o conjunto McPherson e alguns itens estão posicionados em locais diferentes, ou seja, o pivô inferior está alojado na manga de eixo e fixado na bandeja. A barra estabilizadora está introduzida abaixo do suporte do motor, proporcionando facilidades para o reparador. A suspensão traseira é independente e não utiliza barra estabilizadora.
Freios
No sistema de frenagem, observamos que os discos de freio são ventilados e contém uma área intensa para absorção de ar, deixando o veículo com precisão na freada. Com relação ao controle de frenagem ABS, verificou-se que a leitura do sensor é feita através de um encoder magnético instalado no interior do rolamento de roda.
Recado dos reparadores
Quando o Pallas chegar a sua oficina, não se assuste, pois como vimos, apesar do jeito de "nave espacial" ele não apresenta uma mecânica complicada. Tirando a satisfação que você vai ter ao chegar perto de um carro tão bonito, prepare-se para enfrentar as tradicionais dificuldades com peças e obtenção de informações técnicas sobre manutenções e regulagens mais complexas.
Fonte: Web Motors
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