Cupê esportivo Peugeot RCZ chega às ruas brasileiras em 2011
Texto: Luiz Humberto Monteiro Pereira/AutoPress
Fotos: Do autor

(26-04-10) - O Centro de Estilo da PSA sempre teve muito orgulho dos automóveis que cria para suas marcas Peugeot e Citroën. Mas, no caso do RCZ, a vaidade do grupo francês está exacerbada.
E o mais inusitado é que o design do novo cupê esportivo pouco tem de francês. Como a própria Peugeot admite, o RCZ evoca o estilo robusto alemão, expresso em modelos como o Audi TT, com um toque da tradicional elegância italiana, explícita nos esportivos da Alfa Romeo. Além do Audi e dos Alfa, modelos como Volkswagen Scirocco e BMW Cupê também estão na alça de mira do novo carro, que é o primeiro a adotar a nova logomarca da Peugeot – o segundo será a pick-up Hoggar, que estreia mundialmente no final de abril, no Brasil. As pretensões da Peugeot com esse “upgrade” visual são ambiciosas: sair do atual 10º lugar e atingir o sétimo lugar no ranking mundial de marcas até 2015.



Instantâneas
# O RCZ é o primeiro carro de passageiros da marca francesa que não utiliza em sua denominação um número com um zero ou um duplo zero central # A produção do RCZ na fábrica da Magna Steyr, na Áustria, é estimada em 17 mil unidades ano. Mas se houver uma demanda muito grande pode ser ampliada para 22 mil unidades/ano, com a implementação de mais um turno de trabalho.
# No último Salão de Genebra, em março, foi apresentado o estudo de uma versão híbrida do RCZ, batizada de HYbrid4, com 200 cv e tração nas quatro rodas.
# Na Europa, o RCZ oferece uma série de possibilidades de personalização, que inclui arcos de diferentes cores, teto de carbono e adesivos na carroceria.
# O motor 1.6 litro THP de 200 cv do RCZ conta com a tecnologia Sound System. A “melodia” do motor foi trabalhada para criar harmonias, seguindo o ritmo da aceleração. Como se fosse um instrumento musical, uma membrana vibra para gerar uma sonoridade controlada, amplificada por um condutor acústico que ajuda a preservar o nível sonoro no interior do carro.
Ponto a Ponto
Desempenho A versão “top” do RCZ, de 200 cv, é um foguete. Ganha velocidade de forma avassaladora e esbanja disposição em qualquer giro. A aceleração de zero a 100 km/h pode ser feita em 7,5 segundos e dos 80 km/h aos 120 km/h leva apenas 6,5 segundos. O câmbio manual de seis velocidades, de engates curtos e precisos, permite que se extraia todo o potencial esportivo da motorização. Mesmo acima dos 160 km/h, o carro continua a acelerar de forma uniforme e decidida. A velocidade máxima é de 237 km/h. Um abuso. Nota 10.
Estabilidade Trata-se de um cupê bem equilibrado, com ótima rigidez torcional. Se mantém firme nas mãos do motorista e com uma comunicação precisa entre rodas e volante, mesmo acima dos 160 km/h. E, quando o motorista passa um pouco dos limites da civilidade nas curvas, os sistemas eletrônicos se encarregam de ajudar a manter tudo sob controle. Acima dos 155 km/h, o aerofólio modifica o ângulo para otimizar sua eficiência. Nas frenagens, o comportamento é igualmente preciso. Para um esportivo de tração dianteira, a estabilidade impressiona. Nota 9.
Interatividade Na versão de 200 cv, o volante é reduzido e a alavanca do câmbio é mais curta em relação à versão diesel e à versão movida a gasolina com 156 cv. No painel fluido, os instrumentos são bastante legíveis. Botões e alavancas têm operação simples e estão sempre ao alcance da mão. Como em qualquer esportivo que se preze, a posição de dirigir é um tanto afundada. A retrovisão é prejudicada pelas grossas colunas traseiras, que também atrapalham a visibilidade em cruzamentos mais agudos. Nota 8.
Consumo A Peugeot fala em 14,5 km/l em ciclo misto. Ao final do teste, o computador de bordo indicava um consumo de 8 km/l de gasolina, em percurso 80% rodoviário, mas feito na maior parte do tempo em velocidade muito além do recomendável. Nada mal. Nota 7.
Conforto Graças aos diversos ajustes de volante e banco disponíveis, não é difícil achar uma boa posição de dirigir. O câmbio tem curso curto e engates precisos, coerentemente com a proposta esportiva. Os bancos revestidos em couro são bem envolventes e se esforçam para manter o corpo dos ocupantes na posição correta. Num modo mais radical de dirigir, o carona se recente um pouco da ausência de uma alça sobre a porta que o ajude a se firmar melhor no lugar nas curvas. O espaço interno é típico de um esportivo “2+2”. No banco traseiro cabem, no máximo, duas crianças, embora o vidro traseiro com dupla bossa melhore a sensação de amplitude vertical. Para favorecer o desempenho, a suspensão é um tanto rígida.
Absorve pequenas irregularidades, mas fica pouco à vontade em pistas esburacadas – atitude coerente com esse tipo de veículo. Em velocidades estabilizadas, o conforto acústico é exemplar. Nota 8.
Tecnologia A Peugeot pretende afirmar seu padrão tecnológico com o RCZ. Além do controle de tração inteligente, o ESP integra controle dinâmico de estabilidade, assistente para frenagens de emergência e assistência de arranque em aclive. Algumas dessas funções podem ser desligadas para os que preferem ter domínio absoluto sobre o carro, livre de interferências tecnológicas. Airbags frontais e laterais são de série. Itens de conforto e entretenimento como radio/CD/DVD/MP3 com entrada SD e USB e 10 Gb de disco para armazenamento – até 180 horas de música – com sistema de comunicação por Bluetooth, GPS com tela de 7 polegadas e sistema de auxílio ao estacionamento também são de série – pelo menos no modelo vendido na Europa. Nota 9.
Habitabilidade Como qualquer cupê esportivo, o RCZ é um automóvel baixo e o acesso a ele pede alguma flexibilidade. Chegar ao banco traseiro, então, requer iniciação na arte do contorcionismo. Mas como lá só devem viajar crianças, é de se esperar que se ajeitem com mais facilidade que os adultos. Há sistema Isofix para fixação de cadeirinhas de bebê nos dois assentos traseiros. Além do razoável número de porta-objetos a bordo, o porta-malas, de 384 litros, é surpreendentemente grande para um cupê esportivo desse porte. E pode chegar a 760 litros, com os bancos traseiros rebatidos. Nota 7.
Acabamento Uma das principais funções mercadológicas do RCZ é dar um “upgrade” na imagem da Peugeot em todo o mundo. Por isso, os revestimentos internos são de extremo bom gosto e transmitem sensação de nobreza, apesar do estudado despojamento inerente aos esportivos.
Como o duplo pesponto nos arremates do painel, que dão um aspecto de “roupa” ao interior, como se o interior do carro estivesse “vestido”. Um toque elegante e irreverente. Nota 8.
Design Obra-prima do departamento de estilo da PSA, o RCZ é um daqueles automóveis para os quais as pessoas não se cansam de olhar. Todos os detalhes externos e internos parecem ter sido meticulosamente estudados para transmitir uma sensação de profundo apuro estético. Dentro da proposta estilística, que era unir a robustez dos esportivos alemães com a elegância dos esportivos italianos, o resultado foi inegavelmente bem sucedido. E a original solução estética do teto e vidro traseiros com dupla bossa ainda confere uma inusitada pitada de sensualidade ao design. Nota 10.
Custo/Benefício Na Europa, o RCZ é oferecido por valores entre 27 mil euros e 30 mil euros – algo entre R$ 64 mil e R$ 72 mil. A versão de 200 cv, a ser lançada em junho, ainda não tem preço definido. Se a Peugeot do Brasil mantiver a política de preços da matriz – que posicionou o RCZ numa faixa de preços 20% abaixo de seu principal concorrente, o Audi TT –, o carro deve custar algo próximo de R$ 165 mil – o TT custa R$ 210 mil. Nota 6.

Fonte: Web Motors
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